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Entrevista

Arthur Casas

Arthur Casas

Parece mentira, mas o arquiteto Arthur Casas Mattos tem mesmo a residência no seu sobrenome. Paulistano formado pela Universidade Mackenzie, em 1983, ele é um dos principais profissionais brasileiros da atualidade. E está expandindo as fronteiras: seu Studio Arthur Casas está estabelecido em São Paulo e em Nova York.

Uma de suas marcas profissionais é a versatilidade. Recebeu as influências curvas de Oscar Niemeyer, mas também aderiu à linha reta de Vila Nova Artigas. Aumentou as preocupações com sustentabilidade, entrando em sintonia com as questões da modernidade. Se adapta ao perfil dos clientes brasileiros ou americanos – ou japoneses, ou franceses, de países onde Casas também realizou projetos.

Arthur Casas esteve em João Pessoa para participar da quarta edição do Congresso Nacional de Construção de Edifícios (Conaced), em agosto. Se algum dia ele disser que profissão é seu sobrenome, não duvide.

Equilíbrio Entre Mundos

18/02/2020 às 09:11 / Fonte Divulgação / Entrevista: Márcia Barreiros / Por Renato Félix

E conversou com a arquiteta Márcia Barreiros sobre sua trajetória para nosso canal no YouTube e para esta edição da AE.


AE – Arthur, seu escritório completou 30 anos. O que mais mudou nesse tempo de profissão, no mercado e no perfil dos clientes?

Arthur Casas – Acho que o mercado, de certa forma, ficou mais profissional. Acredito que hoje as pessoas procuram mais o trabalho do arquiteto, tem respeito maior pelo trabalho. Acho que as indústrias brasileiras também estão mais conectadas com os arquitetos, não no sentido só de querer vender o produto, mas de desenvolver novos produtos. Não só com os arquitetos, mas também obviamente com os designers – muitos arquitetos são designers, assim, como mais ou menos eu sou. O cenário me parece que melhorou muito. O que acontece é que hoje tem muitos arquitetos. Na minha época, São Paulo tinha, a grosso modo, três ou quatro faculdades de arquitetura. Hoje tem inúmeras. Eu fico pensando se há mercado pra todo mundo. Mas eu acho que, pra quem tem um trabalho mais autoral, consegue fazer um trabalho com um pouco mais de projeção.
 

AE – Basicamente você ficou mais conhecido com a parte de residência e interiores. Mas projetos comerciais têm aparecido bastante. Você acha que é devido a esse profissionalismo do mercado?

AC – Eu comecei com interiores, na verdade. Mas hoje, por exemplo, 70% do escritório é arquitetura residencial e de edifícios, shoppings, essas coisas. É uma percepção um pouco lá atrás do escritório, mas é um pouco isso também no sentido de que como eu faço um projeto desde a fundação até a decoração e desenho dos móveis, acho que é um pouco de tudo. Mas eu gosto muito de interiores ainda.


AE – Esse teu escritório em Nova York: o que muda em termos de clientes em relação ao escritório no Brasil?

AC – É uma cultura diferente. Uma sociedade diferente, que pensa de uma forma diferente, com demandas diferentes. Um poder aquisitivo diferente. Tem uma forma de pensar a casa distinta da nossa. Claro que o sistema consultivo totalmente diferente, até o sistema de medição, mas acho que isso é a parte menos difícil. O mais complicado mesmo é a questão cultural. O americano pensa muito no conforto pelo conforto, o brasileiro é muito mais estético – ele pensa na estética em primeiro lugar.


AE – E qual o melhor dos dois mundos?

AC – Acho legal o equilíbrio, na verdade. O mundo é interessante de modo geral. Trabalhar com culturas diferentes é muito interessante. Eu sou brasileiro, então sou meio suspeito achar o Brasil melhor que os Estados Unidos. Mas, pensando assim, mais friamente, o que é legal no mundo em que a gente vive é que não somos iguais, né?


AE – E o que está à frente, esperando os próximos 30 anos?

AC –
Eu não sei, eu não faço muito essa projeção, não. Eu fico muito pensando que eu gostaria de criar uma... continuidade do escritório, de alguma forma. Eu tô um pouco observando as pessoas, meus contribuidores...


AE – Está se reinventando, é isso?

AC – A todo momento, o tempo inteiro. Cada equipe tem sempre alguém fazendo pesquisa de materiais, pesquisas de arquitetura. Para trazer sempre novidade.