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Entrevista

Gustavo Zanotto

Gustavo Zanotto

Gustavo Zanotto entrou no mercado de imóveis meio por acaso, mas hoje é um nome importante no que diz respeito à inovação e à solução de problemas para os profissionais da área. Ele tem trocado informações pelo Brasil e no exterior, a bordo do Café Imobiliário, criado junto com Guilherme Carnicelli, um ciclo de palestras, consultorias e treinamento já realizado em vários estados e também em Miami e Lisboa. 

O Café Imobiliário hoje também é um canal no YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCDp11k8edeRx7duf3YRgmTA) tratando de temas como inteligência artificial, o comprador de imóveis na internet, e-mail marketing e outros.

Mais do mesmo não adianta

11/07/2018 às 05:07 / Por Renato Félix

Gustavo conversou com a AE sobre sua trajetória, a necessidade de mudanças no mercado de compra e venda de imóveis e a abertura do mercado português para os brasileiros.


AE – Como você entrou nesse ramo do mercado imobiliário?

Gustavo Zanotto – Eu entrei no mercado imobiliário em 2000. Fui para os Estados Unidos, eu tinha uma outra profissão, fui morar no estado de Iowa. E lá comecei a conversar com pessoas que participavam do desenvolvimento imobiliário e desenvolvimento urbano da cidade. Eu morava num hotel e lá também tinha pessoas de outras nacionalidades: venezuelanos, colombianos, bolivianos – que estavam no país para ajudar no desenvolvimento imobiliário daquela região. Comecei a conhecer o mercado, a conversar com construtores, me dedicava a visitar incorporadoras. E comecei a entender como funcionava o mercado imobliário americano. 


AE – Quando você voltou ao Brasil?

GZ – Voltei para o Brasil no ano de 2000, abri uma empresa e comecei a cuidar da parte de comunicação e me envolvi, no Brasil, com construtoras. Fui convidado depois para fazer parte do departamento de marketing de pequenas construtoras na cidade de Campinas. Passei a frequentar essas construtoras, prestar serviços, depois passei a ser funcionário dessas empresas. Em 2007, recebi o convite de tocar a operação da futura CBG, construtora criada depois da fusão de quatro outras grandes construtoras e que chegou a ser a maior operação imobiliária do Brasil. Fui gerente de planejamento e inovação da CBG até final de 2009. Depois fui para a Tecnisa, uma construtora de porte médio da cidade de São Paulo, que era a grande referência em inovação, que enxergava as mudanças do mercado através das plataformas eletrônicas, através das conexões criadas via digital, e passei então a ser gerente de mídia. Fiquei na Tecnisa até 2011, quando eu assumi a gerência geral de mídia e inovação da Cyrela, que hoje tem a maior operação imobiliária do Brasil. Sempre cuidando das estratégias de comunicação, marketing e principalmente de inovação para as construtoras.


AE – Esse período coincidiu com o crescimento da internet como aliada profissional, não é isso?

GZ – Fui tomar conhecimento da importância da internet de maneira profissional em 2004. Para traçar estratégias de vendas e relacionamento. Lá atrás eu usava, mas apenas como curiosidade. Percebi como a internet é importante para criar estratégias de alavancar vendas, mas também como estratégia de relacionamento.


AE – E como surgiu o Café Imobiliário?

GZ – Com o nosso trabalho, começamos a ser convidados para dar palestras. E começamos a viajar o Brasil todo para dividir o nosso conhecimento, nosso conteúdo. O Café Imobiliário Miami começou em 2005 e, em outubro, vamos para a quinta edição. E tivemos a segunda de Lisboa em maio. O Café Imobiliário abriu as portas para o brasileiro conhecer o mercado português.


AE – Nessa viagens pelo Brasil, como você vê a diferença de mercado entre as regiões?

GZ – A primeira coisa que a gente percebe é que o Brasil é um imenso mercado imobiliário. Todas as cidades têm diferenças de mercado. O mercado de João Pessoa não é o mesmo de Campina Grande. Mas o que a gente mais percebe, por onde passa, é que as demandas são sempre as mesmas, os problemas são os mesmos, o empresário traz as mesmas dificuldades. No todo, é igual. O que diferencia é a maneira como seus profissionais trabalham. As ações são sempre as mesmas. O mercado é repetitivo. Mas poucas são as empresas que trazem novidades para o mercado. 


AE – Como melhorar esse mercado, então?

GZ – Existe oportunidade onde tem o caos. Mas as imobiliárias não conversam com os corretores. E os corretores não têm como dar feedback para os clientes.


AE – O mercado de Portugal tem crescido no interesse do brasileiro, não é?

GZ – O Café Imobiliário já levou 30 pessoas para Portugal. O mercado cresceu nos últimos anos, passou a ser vitrine dos negócios imobiliários na Europa. Lisboa foi eleita um dos melhores destinos turísticos, tem a facilidade da língua e o país recebe bem o estrangeiro. E um governo que proporciona estabilidade econômica. O brasileiro tem se preocupado com estabilidade, segurança, tranquilidade, educação dos filhos. E como investimento, dá retorno. Você compra um produto e tem uma valorização. A taxa de juros é 1% ao ano.


AE – Voltando ao mercado nacional, você fala bastante que os profissionais precisam mudar. Como chegar a essa mudança?

GZ – Não existe uma fórmula mágica, uma receita de bolo. O que a gente tem visto é que é preciso uma integração do mercado: construtoras, imobiliárias e corretores de imóveis. Hoje o mercado necessita de maius informação, diferente daquelas que já têm nos sites. Você tem que gerar valor para quem compra um imóvel de você. É preciso ter coisas que façam você se diferenciar. Não adianta fazer mais do mesmo.