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Arquitetura

Convergindo para o centro

06/08/2018 às 18:11 / Fonte Fotos: Diego Carneiro / Por Lidiane Gonçalves

Convergindo para o centro
A geometria determinante e o protagonismo da madeira marcam o projeto de uma casa de praia


Uma casa de praia descontraída, para gerar um clima diferente do cotidiano da casa principal da família na cidade. Foi esse o objetivo do projeto que integra um condomínio na cidade de Pitimbu, litoral sul da Paraíba, criado pela dupla Vera Pires e Roberto Ghione, do escritório pernambucano VPRG Arquitetos. Com 290,81m² de área, a construção durou de setembro de 2016 a junho de 2017. A centralidade do projeto e o uso da madeira são os aspectos marcantes da casa.

Os dois arquitetos já haviam projetado a casa da cidade do casal cliente. “Combinamos manter as características de espacialidade e de conforto natural da casa da cidade”, conta Vera. “Porém adaptada às exigências de habitar na praia, de forma temporária. Uma casa para a convivência familiar e para receber amigos”.

“O condomínio foi recém liberado para construir, a casa é a segunda construída em uma área relativamente grande”, completa Ghione. “Não existem fortes condicionamentos paisagísticos, além da vista para o mar e da disposição dos cômodos para garantir as melhores condições de ventilação”.

Vera comenta que a casa resultou uma formalização autônoma, de geometria muito determinante, com telhado a quatro águas e uma lanterna central de iluminação e ventilação. “A planta baixa é um quadrado perfeito, com uma centralidade bem marcada, onde foi localizada uma escada que permite vivenciar, enquanto se circula, um terraço no pavimento térreo e o restante da casa no primeiro pavimento”, explica.

A casa possui duas partes bem diferenciadas: uma é um "L" em alvenaria e laje de concreto, que contém as áreas privadas e de serviço; a outra é um quadrado com estrutura de madeira, onde se desenvolvem as áreas sociais. A geometria precisa e os dois sistemas construtivos complementados definem o conceito do projeto. “A centralidade define o espaço e a estrutura da casa”, diz a arquiteta.

E há a madeira, que também é um destaque. A casa tem estrutura em eucalipto, coberta em massaranduba, assoalho em ipê, esquadrias, corrimões, guarda corpo de escada e escadas em cumaru. “A predominância da madeira como material natural que dá identidade à casa”, afirma Ghione. “E tudo isso com uma espacialidade que integra três níveis: o terraço no térreo, as áreas sociais da família no primeiro, e a área técnica e para hospedagem informal no segundo, aproveitando a inclinação da coberta”.

“A construção em madeira é um recurso para diferenciar a moradia em casa de praia, oportunamente combinado e aceito por nossos clientes”, diz Vera. “Também o desenvolvimento de experiências construtivas diferentes das chamadas ‘convencionais’, assim como para explorar o aconchego e as possibilidades espaciais que oferece o material”.

Os dois espaços são integrados por uma escada central. “Acredito que resolveu as expectativas dos nossos clientes”, conta Vera. “Considerando que o local ainda encontra-se inóspito, a piscina foi elevada para aconchegar e dar certa privacidade ao terraço, além de proteger do vento, que em algumas circunstâncias pode ser incômodo”. 

Ghione conta que, mesmo sendo um projeto de construção, a ambientação não ficou para depois. “Em todos nossos projetos definimos os critérios gerais de ambientação”, conta ele. “Ao definir os projetos elétricos, hidráulicos, e a própria configuração dos ambientes, estamos definindo as bases para a ambientação. Também as integrações entre espaços interiores e exteriores através do paisagismo”. No caso desta casa, os móveis e peças de iluminação foram escolhidas pelos clientes. “Eles possuem muita sensibilidade e sabem escolher perfeitamente o que precisam, sempre de acordo com o lay out fornecido no projeto”, diz o arquiteto.

A preocupação com a sustentabilidade está presente, começando pela madeira, que é toda de reflorestação. “A estrutura é em eucalipto tratado e autoclavado, e os pisos em madeiras de lei certificadas”, conta Vera, que prossegue: “A utilização de tecnologia conhecida e de fácil interpretação (no caso da alvenaria tradicional), complementada com tecnologia de ‘montagem’ de peças de madeira, racionalizadas e montadas sob uma estrutura geométrica rígida, que evita improvisações”. 

Nesse ponto, os critérios básicos para construir no Nordeste também precisam ser levados em consideração. “Proteger do poente, abrir para as melhores condições de ventilação, provocar sempre ventilação cruzada, proporcionar áreas sombreadas, tudo isso foi considerado neste projeto, como em todos os que realizamos. Isso contribui sensivelmente para tornar os projetos sustentáveis”. 

São detalhes importantes para que a nova casa aproveite o melhor do litoral nordestino.

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Arquitetos:
Vera Pires e Roberto Ghione