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Sentinelas Históricos

04/03/2020 às 08:30 / Fonte Fotos: Divulgação / Por Renato Félix

Do centro à orla, os bustos da capital paraibana contam um pouco da história da cidade


Milhares de pessoas passam por eles todos os dias. E quantas param e realmente olham para os monumentos que homenageiam personalidades da história da Paraíba e do Brasil estão espalhados pela cidade? Um passeio da cidade baixa, onde tudo começou, até a orla marítima de João Pessoa, para onde a capital paraibana se expandiu, mostra alguns desses monumentos e os rostos de quem fez a nossa história.

O primeiro da lista não é de um paraibano. Próximo à Estação Ferroviária, está o busto de Olavo Bilac, poeta carioca do parnasianismo, defensor do abolicionismo no século XIX e autor da letra do Hino à Bandeira. A escultura é do italiano Umberto Cozzo, que tem outros dois bustos na cidade: o de Epitácio Pessoa, dentro da Faculdade de Direito (na Praça João Pessoa), e o de Augusto dos Anjos, que está no Parque Sólon de Lucena.

Antes de chegar lá, porém, passamos pela praça Antenor Navarro. A praça foi restaurada em 1998 e o busto do ex-governador, antes escondido por um posto de gasolina, ganhou local nobre, à frente de um belo canteiro. É datado de 1934 e, na placa, há um poema de Políbio Alves sobre o bairro do Varadouro.

O busto do pintor paraibano Pedro Américo está na praça que leva o nome dele, entre o Paço Municipal e o Teatro Santa Roza. Busto é modo de dizer: Pedro Américo está reproduzido, imponente, de meio corpo, segurando pincel e paleta. Na base do pedestal, em alto relevo, a reprodução de dois de seus mais famosos quadros: o Grito do Ipiranga e a Batalha do Avaí.

Um pouco mais acima, na vizinha Praça Aristides Lobo, está o busto do propagandista da República que batiza a praça. Lobo foi integrante do primeiro ministério da República, ainda no governo provisório. O busto está localizado no alto da escadaria que sai na rua da Areia. Nos anos 1950, era um local privilegiado para comícios.

O busto só mostra o nome do homenageado e nenhuma informação a mais, mas, na parte de trás do busto, está a assinatura do escultor francês M. Sain. São dele outros dois bustos da cidade: o de Venâncio Neiva, no Pavilhão do Chá, e o de Epitácio Pessoa, no começo da avenida que leva seu nome – ambos com “Paris, 1919” acompanhando a assinatura.

O monumento a Venâncio Neiva é um dos menores. O Pavilhão do Chá, vale lembrar, é o nome informal da praça que leva o nome do primeiro governador republicano da Paraíba. No pedestal, um selo do Conselho Nacional de Geografia. Está escrito: “Não destruir. Protegido pela lei”

A maioria desses monumentos sofre evidentes ações do tempo: estão sujos, com a pintura do pedestal descascando ou com uma ou outra rachadura. Alguns já estiveram em situação pior. O do poeta Augusto dos Anjos, que se encontra na galeria homônima, por exemplo, já teve colado até um adesivo de campanha eleitoral que atravessou os anos.

Com a reforma da galeria, o busto foi restaurado. Por um tempo, esteve ausente do local, motivando uma faixa no local que indagava seu paradeiro. Atualmente, está de volta ao local. Nele, há placas com três poemas de Augusto e um de Adabel Rocha, este sobre o poeta.

No Ponto de Cem Réis, nome pelo qual é mais conhecido a Praça Vidal de Negreiros, o busto do paraibano foi o principal nome na luta contra a dominação holandesa, no século XVI, ganhou local nobre após uma grande reforma no lugar. Hoje fica sobre um pedestal.

A aurora da República e a Revolução de 1930 têm boa parte dos homenageados com bustos em João Pessoa. Em uma pracinha no canteiro da Avenida Getúlio Vargas, em frente ao Liceu Paraibano, está o pequeno monumento a João da Mata Correia Lima. Advogado, foi professor da Academia de Comércio e um grande boêmio. A inscrição na placa – quase apagada – diz: “Grande democrata e maior tribuno de 1930”. A homenagem é de 1932.

Finalmente, em direção à orla, estão dois dos mais conhecidos monumentos da cidade. Logo no começo da Avenida Epitácio Pessoa, a principal da cidade, está o monumento ao paraibano de Umbuzeiro que se tornou presidente da República em 1919. No começo, o busto ficava em frente ao Palácio da Redenção – e sua postura de orador, apontando com firmeza para frente, foi logo alvo de gracinhas, com as pessoas afirmando que o presidente apontava “onde estavam os ladrões da República”.

Só em 1965, o busto foi mudado para o começo da avenida homônima. Desde então, sobre um bloco de concreto de 2 metros de altura, ele aponta para o lado da praia, como se estivesse mostrando o futuro da cidade, para onde ela deveria crescer.

Na praia, na outra ponta da avenida Epitácio Pessoa, está o famoso busto de Tamandaré. Mas quem foi ele? O almirante Joaquim Marques Lisboa, marquês de Tamandaré, teve uma atuação importante na Guerra do Paraguai, comandando as forças navais no Rio da Prata. É o patrono da marinha brasileira. E esteve na cidade, bem antes da guerra, em 1859, comandando a esquadra que trouxe o Imperador D. Pedro II em visita à Paraíba.

A localização e o visual privilegiados o tornaram uma referência para os pessoenses. O busto de Tamandaré está na divisa entre os bairros litorâneos de Cabo Branco e Tambaú e compartilha da visão de quem chega ao mar pela principal avenida da cidade. Talvez seja o monumento de quem o pessoense fala com maior intimidade. Pena que ficou meio ofuscado e deslocado pelo chamativo letreiro 'I Love Jampa', que foi instalado no local pela prefeitura da cidade.

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