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Solenes ou Informais

21/02/2020 às 09:37 / Fonte Divulgação / Por Renato Félix

Solenes ou Informais
Em João Pessoa, as estátuas se concentram no centro da cidade; algumas se distanciam do povo, mas outras se integram à população


São muitos os bustos de personalidades históricas (e mesmo pouco conhecidas) em João Pessoa, como mostramos na AE 61. Estátuas, no entanto, já não são tão comuns. Elas estão concentradas sobretudo no centro da capital paraibana e as mais recentes perdem bastante a aura solene destes monumentos, sendo integradas à paisagem.

O contraste é evidente, por exemplo, entre duas estátuas muito próximas uma à outra, na Praça Rio Branco. A do próprio Barão do Rio Branco, erguida da coxa para cima, sobre um pedestal, retrata o político e diplomata que negociou fronteiras do Brasil no começo do século XX e ajudou a ampliar nosso território. Homem sóbrio, de bigode, lá no alto.

A poucos metros dali, na estrada da praça, está a de Jackson do Pandeiro. O intérprete de sucessos como “Chiclete com banana” e “Sebastiana”, tem sua homenagem instalada há muito menos anos, e – por isso e pela figura em si – é muito mais informal. O rei do ritmo está no chão, junto dos habitantes da cidade, com o pé apoiado em um banco e tocando seu pandeiro.

Perto dali, sentado em seu banco, chapéu do lado, está Livardo Alves. O compositor da famosa “Marcha da cueca” está no time da estátuas recentes e “informais”. Sua postura é de quem está observando o Ponto de Cem Réis, local do centro de João Pessoa que ele frequentou por tantos anos. Pena que sua visão é prejudicada: seus óculos são constantemente vítimas de roubo.

O poeta Augusto dos Anjos, além de dois bustos (um na entrada da galeria que leva seu nome e outro no Parque da Lagoa), tem também duas estátuas em João Pessoa. Uma está na Praça Pedro Américo, sentado e escrevendo. A outra, num formato bem mais tradicional, está na entrada da Academia Paraibana de Letras.

A estátua dedicada a Manoel Caixa d’Água, na Praça Aristides Lobo, rende essa homenagem não apenas por ele ter sido um poeta, mas também por ter sido uma grande figura representativa, folclórica, do centro da cidade. A mala que Caixa d’Água sempre carregava consigo e que a estátua também tinha foi vítima do vandalismo e não está mais lá – Mané aguarda por outra.

A estátua mais distante do centro é de outra figura da cultura: Ariano Suassuna, que recebe as plateias que passam pelo hall do Teatro Pedra do Reino, no Centro de Convenções. O teatro é batizado com o nome de um dos principais livros de Ariano.

De volta ao Centro, uma estátua de João Pessoa compõe o pomposo monumento dedicado ao ex-governador (na época se dizia presidente) que foi assassinado em 1930, em Recife, fato que foi o estopim para a Revolução de 1930. O monumento está na Praça João Pessoa, conhecida como a “praça dos três poderes”, por ser cercada pelo Palácio da Redenção (sede do executivo estadual), a Assembleia Legislativa (sede do legislativo) e o Tribunal de Justiça (sede do judiciário). João Pessoa brilha sozinho em um dos lados do monumento – anjos e guerreiros estão dos outros.

A mais solene das estátuas pessoenses é a de Álvaro Machado, que foi governador da Paraíba duas vezes, nos primeiros anos da República: entre 1892 e 1896 e entre 1904 e 1905. Foi também duas vezes senador: entre 1897 e 1904 e de 1906 a 1912, quando morreu. Com atuação há mais de cem anos, poucos hoje conhecem o personagem que está sobre um pedestal altíssimo. Distante do povo no tempo e no espaço.