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Visão Panorâmica: Desafios da Arquitetura e Outras Coisas

17/02/2020 às 09:47 / Fonte Imagens: Divulgação / Por Amélia Panet

Visão Panorâmica: Desafios da Arquitetura e Outras Coisas
Profissionais precisam encontrar soluções para necessidades básicas


Entrando na terceira década do terceiro milênio podemos nos perguntar quais são os maiores desafios dos profissionais da arquitetura e urbanismo para os próximos anos. As tecnologias avançam a passos largos, mas, em contrapartida, ainda encontramos necessidades básicas não atendidas que fazem com que os profissionais de arquitetura trabalhem em extremos bem distantes. 

Enquanto os grandes escritórios de arquitetura possuem ao seu dispor as tecnologias mais avançadas relacionadas à concepção projetual e sua construção, outros trabalham com as ferramentas mais usuais para atingirem demandas básicas de populações que estão à margem da pobreza extrema e, literalmente, necessitam colocar a mão na massa em projetos e construções coletivas com custos modestos. 

Não estamos dizendo com isso que a tecnologia de ponta se torna inviável para os projetos de arquitetura social. Pelo contrário, podem otimizar bastante o processo. No entanto, o contato do profissional cada vez mais próximo das demandas sociais fazem com que as ferramentas eleitas para o seu exercício sejam acessíveis a todos, nos processos participativos, e façam parte do universo de cada contexto. Nunca necessitamos tanto de empatia dos profissionais para a compreensão das necessidades humanas. 

Vejamos dois grandes desafios que atualmente assolam a civilização: a crise migratória de refugiados e a migração pendular das grandes cidades. 

No primeiro, centenas de pessoas cruzam as fronteiras de vários países fugindo de conflitos e perseguições ou à procura de emprego e melhores condições de vida. Os lugares de chegada desses imigrantes, mesmo que provisórios, necessitam de abrigos adequados e infraestrutura que possam oferecer um mínimo de conforto. Os campos de refugiados da Organização das Nações Unidas abrigam centenas de pessoas em situações precárias. 

Alguns desses campos são maiores, em termos populacionais, que muitas cidades nordestinas abrigando mais de 400 mil pessoas. Outros já estão consolidados em sua precariedade há mais de 30 anos, como o caso da Vila Panian, no nordeste do Paquistão com quase 60 mil pessoas. Ainda não conseguimos conceber habitações e outros equipamentos inteligentes, que possam ser montadas com rapidez, eficiência e baixo custo. 

Outro grande desafio diz respeito à mobilidade das grandes cidades, a migração pendular que existe diariamente, deslocando centenas de pessoas de cidades vizinhas ou regiões periféricas para trabalharem e estudarem. O espraiamento urbano, a segregação espacial, o zoneamento urbano com concentração de atividades produtivas em determinadas regiões e, a ausência de reformas urbanas que possam renovar áreas abandonadas são algumas das causas desse fenômeno diário. 

Por outro lado, a escassez de sistemas de transportes públicos mais eficientes e a oferta de diversidade de modais dificultam, sobremaneira, tais deslocamentos. O campo da arquitetura necessita refletir sobre cidades mais sustentáveis em todos os aspectos. Essa palavra já tão desgastada, ‘sustentabilidade’, parece ainda não ter sido alcançada. 

Pelo contrário, a crise ambiental por que passa o planeta está chegando ao ápice. Queimadas na Amazônia, a mineração versus materiais construtivos e o excessivo consumo energético vem, há algum tempo, nos alertando para o fato de que precisamos construir menos e construir melhor. 

Eis um grande desafio para a nossa área: construir menos e melhor. Nossas habitações e os demais equipamentos precisam ter qualidade projetual e construtiva, precisam ser inteligentes, ter flexibilidade espacial para se adaptarem às mudanças, precisam produzir energia e não consumi-la, precisam se integrar à natureza para contribuir com o microclima e a saúde mental de seus usuários. Precisamos nos reinventar para dar conta dos grandes desafios que nos aportam.

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